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sábado, 18 de agosto de 2012

Gatos e Bruxas

Os gatos, que foram divinizados no Egito Antigo, sofreram um processo inverso de demonização na Europa da era medieval, porque eram vistos na companhia de mulheres acusadas de bruxaria. Se a primeira atitude honra a sabedoria dos egípcios, que sabiam reconhecer a nobreza natural desses belos animais, a perseguição fanática aos gatos na Idade Média acarretou uma redução de sua população, que está entre os fatores que contribuiram para espalhar a peste negra, doença transmitida pela pulga do rato.

Os egípcios, que mumificavam seus animais sagrados quando eles morriam, com o mesmo respeito dedicado aos faraós falecidos, acreditavam que homens e animais tinham uma alma e um kha, um duplo, que os esotéricos chamariam de corpo astral ou duplo etéreo, ambos sobreviventes à morte do corpo físico, de modo que era bastante avançada no Egito a especulação quanto a uma vida futura, após a morte, em uma época que outros povos nem sonhavam com isso. Se o faraó Ikhnaton fosse bem sucedido na sua revolução, os egípcios chegariam a uma noção mais elevada de um Deus único, setecentos anos antes do terrível Jeová imaginado por Isaías. Ele fracassou porque tentou impor o monoteísmo à força. Mesmo permanecendo politeístas, os indianos alcançaram pleno sucesso na concepção do Deus Brahmam como Puro Espírito, transcendente e imanente aos outros Deuses e ao Universo.

As mulheres queimadas nas fogueiras não adoravam o diabo. O cristianismo vitorioso nas cidades não havia chegado ao campo. Essas simples aldeãs eram pagãs, seguiam as antigas religiões que cultuavam a natureza e, como tal, lhes agradava a companhia dos gatos. O uso de animais para simbolizar o mal era uma condenação da animalização. Espiritualizando-nos, salvamos conosco os animais. É o mínimo que devemos a tão maravilhosos companheiros.

Por: Marco Antonio Vianna

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