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domingo, 2 de setembro de 2012

O Planeta dos Macacos

É notável a semelhança entre "O Planeta dos Macacos" de Pierre Boulle e a quarta parte de "Viagens de Gulliver" de Jonathan Swift.  Se no romance de Boulle três astronautas chegam a um planeta gêmeo da Terra, na constelação de Grion, onde macacos evoluíram até a civilização e os homens degeneraram, na narrativa de Swift o capitão Lemuel Gulliver é abandonado pela tripulação amotinada do seu navio em uma terra desconhecida governada por sábios cavalos, enquanto os homens decaíram até se tornarem animais repulsivos.
As histórias se assemelham porque tratam de temas eternos da literatura: a fragilidade da civilização, a permanência de instintos represados que a ameaçam sob um verniz cultural e finalmente a barbarie rompendo as comportas e submergindo tudo o que foi penosamente construído por gerações. A presença de animais evoluídos e homens animalizados tem o mesmo objetivo das fábulas de La Fontaine. Em forma de alegria, a sociedade humana é alvo das críticas. Os autores condenam principalmente a crueldade contra os animais, explorados para transportar cargas, como os cavalos, caçados, exibidos em circos e zoológicos, obrigados a servirem de cobaias nos laboratórios de pesquisa, como os macacos. A especulação quanto ao futuro da Evolução é inútil, sem sentido, ridícula. Civilações símias, equinas ou reptilianas não seriam mais bem sucedidas que as humanas. A transitoriedade é uma característica inevitável do mundo físico.

Ulysse Mérou, o protagonista humano de "O Planeta dos Macacos" intuiu que o contato inteligente com a macaca Zira salvou-o da mesma degeneração do professor Antelle, aprisionado como animal em um Jardim Zoológico, e concluiu que a civilização é meramente imitativa para a massa, que o florescimento cultural depente do estímulo mútuo de várias inteligências e que o brilho do olhar que notamos nos seres inteligentes é o sinal de uma centelha divina que nos habita, que pode adormecer esquecida, mas nunca morre. Quantas vezes não surpreendemos essa centelha também nos animais?


Por: Marco Antônio Vianna

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